A Grande Resignação
O que explica a onda de pedidos de demissão mesmo num país com alto desemprego como o Brasil.
Publicado originalmente no LinkedIn, em 28 de março de 2022.
Você muito provavelmente deve ter ouvido nos últimos dias os termos a “Grande Resignação” ou a “Grande Renúncia”, certo?
O termo se refere ao crescente movimento de pedidos de demissões por parte de colaboradores de todo o mundo. Nos EUA, o principal país onde isso tem ocorrido, já se registra o histórico número de 4,5 milhões de demissões voluntárias mensais. No Brasil, o cenário não é diferente, aliás, é ainda maior dada a proporção. Afinal, somos um país que conta com 13 milhões de desempregados.
De acordo com dados oficiais do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o Brasil atingiu o impressionante número de 500 mil pedidos de demissão em janeiro de 2022, o dobro do valor de níveis pré-pandemia. Vale ressaltar, que pedidos de desligamentos por comum acordo não entram nesse dado, o que indica um cenário possivelmente maior.
Mas, o que explica todo esse movimento mesmo em um país com alto índice de desemprego como o Brasil? São muitos fatores para serem levados em consideração, mas há 3 principais que são apontados por especialistas, são eles:
- Existe uma demanda reprimida de pessoas insatisfeitas com seus atuais empregos desde o período pré-pandemia e diante do cenário incerto resolveram aguardar por um momento de estabilidade que é o que temos visto nos últimos meses;
- O esgotamento e ambiente de trabalho tóxico. Para muitos, principalmente do setor de serviços - esse que lidera os pedidos de demissão - a pandemia foi uma explosão de trabalho e demandas extras. Em alguns casos, agravados por um ambiente corporativo retrógrado e não propício para o home office, gerentes e gestores despreparados para essa nova realidade criaram um perfeito ambiente para esgotamento mental dos seus colaboradores;
- Por fim e provavelmente o mais significativo, o retorno ao presencial ou adoção do modelo híbrido. Em uma pesquisa internacional encomendada pela Microsoft, “70% dos colaboradores desejam que as empresas mantenham a opção flexível do trabalho remoto, e quase 50% desses colaboradores têm planos para se mudar caso não precisem voltar ao escritório.”
O mercado e as pesquisas deixam claro, empresas que retornarem ao presencial ou adotarem o modelo híbrido, serão as mais vulneráveis à “Grande Resignação” e certamente as mais impactadas pela demissão em massa de seus colaboradores, principalmente se essa decisão for arbitrária e não fortemente pautada em dados.
A pandemia mostrou para o colaborador que é possível entregar resultados tão, senão mais, satisfatórios trabalhando de onde quiser, desde o conforto do seu próprio lar, talvez da tão sonhada e calma cidade do interior ou quem sabe intercalando com uma viagem. O any where e any time office é possível e se existe algo que possamos tirar de bom de toda essa tragédia que foi a pandemia do Covid-19, eu diria que é isso, priorizar a qualidade de vida e passar mais tempo com quem amamos.